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Boicote evangélico a "Salve Jorge" é marketing de "Rei Davi"


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Setores da Globo já esperavam por algo parecido. Tentaram convencer a autora Glória Perez a mudar o nome de sua novela, mas foram voto vencido. Temiam que evangélicos e católicos implicassem com "Salve Jorge".

Imagem postada no Facebook contra a novelaEstes últimos ficaram quietinhos, mas os primeiros não perderam a oportunidade de fazer barulho. No início desta semana, uma campanha viral conclamou os fiéis das igrejas neopentecostais a rejeitar a trama global, que trataria de um "ogum espiritista" (sic), e que em seu lugar assistissem à reprise da minissérie bíblica "Rei Davi" na Record.

O blog do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (controladora da Record) chegou a publicar um texto assinado por Vanessa Lampert, que alega que São Jorge sequer teria existido: seria uma lenda de origem babilônica encampada pela Igreja Católica.

Ela se esquece de que não há provas arqueológicas nem documentais da existência física do Rei Davi: ele só é mencionado no Antigo Testamento. Mas o que importa é inflamar o autodenominado "povo de Deus".

O boicote proposto foi um dos assuntos mais comentados na internet, despertando paixões pró e contra. É claro que todo mundo tem o direito de boicotar o que quiser, por qualquer razão que seja. Ainda somos um país livre.

Mas também é chocante a demonização que os evangélicos fazem das outras religiões, na contramão do diálogo ecumênico que quase todas as fés se esforçam em manter nos últimos anos.

Se o objetivo era derrubar a audiência de "Salve Jorge", o esforço deu com os burros n'água. O primeiro capítulo teve uma média de 35 pontos no Ibope, bastante bom para uma estreia, e alcançou um pico de 40 no segundo dia.

Só que não --o verdadeiro objetivo não era este. Era chamar a atenção para a reprise de "Rei Davi". Neste ponto, o boicote teve sucesso: a substituta dobrou os três pontos que sua antecessora "Rebelde" marcava no mesmo horário.

Seis pontos de audiência não é nada mau para a reapresentação de um programa que marcou 12 na primeira vez em que foi exibido, no começo deste ano. Além disto, a repercussão do caso foi grande. Gerou muita mídia espontânea -- inclusive esta minha coluna de hoje.

Não é a primeira vez e nem será a última em que a crença de alguns é manipulada por interesses comerciais. Aliás, nem só a crença: também a reação dos "infiéis", que serve para aumentar o clamor em torno.

Algumas igrejas e emissoras estão ficando craques nesse estilo de marketing.
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