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Após criar "Família Addams" carioca, Falabella se despede da TV


Falabella e Marília Pêra nos bastidores de "Pé na Cova", série que estreia hoje na Globo, trazendo a dupla de atores vivendo um ex-casalF5

Aos 55 anos, Miguel Falabella volta às telinhas para dar vida a Ruço (sic), personagem principal de "Pé na cova", seriado que estreia nesta quinta-feira (24) na Globo.

Resultado do fascínio que o ator nutre pela classe C, o enredo traz à tona traços autobiográficos e promete ser o último trabalho do artista na frente das câmeras.

A trama se debruça sobre a vida de uma família suburbana e disfuncional, que mantém um comércio nada aprazível: a F.U.I. (Funerária Unidos do Irajá). Com elenco diversificado, a comédia é inspirada na Família Addams e recebeu a morte como narrativa central.

"Eu queria falar dessa coisa da exceção. Eu gosto dos que não estão no 'mainstream', gosto do universo que a televisão geralmente não fala", afirma.

A seleção do objeto, porém, tem raízes mais profundas. Na infância, Falabella costumava brincar atrás de um cemitério na Ilha do Governador, onde o pai de um de seus amigos mantinha uma funerária. O repertório suburbano é também um retrato saudosista dessa época, quando convivia com colegas da Penha e de bairros adjacentes.

"Eu voltei para as minhas raízes", aponta, e em seguida ressalva que sua criação tem o diferencial de estar imersa em um ambiente bizarro, cruel e, até mesmo, apocalíptico.

Na série, Falabella mostra o retrato estereotipado de um núcleo familiar sem educação, sem dinheiro e sem futuro, mas que encara as situações com humor. "Na Suécia, eles se preparam para morrer. Aqui a gente morre e larga tudo pra lá, é uma confusão", avalia, deixando transparecer o tipo de histórias que serão abordadas.

Ruço é o patriarca, mora com a ex-mulher Darlene (Marília Pêra), maquiadora de cadáveres, e com a esposa Abigail (Lorena Comparato), que não serve para muita coisa. Sob o mesmo teto ainda vivem a filha Odete Roitman (Luma Costa), que ganha dinheiro mostrando o corpo na internet, e Alessanderson (Daniel Torres), com ampla aptidão para ser um político corrupto.

SEM MEDO DA MORTE

Ao falar sobre o final da vida, Falabella também avalia sua carreira e revela suas prioridades para os próximos anos.

"Talvez seja o meu último [personagem] para tevê. Não digo que dessa água não beberei, mas cada vez mais quero escrever e atuar no teatro. Vou morrer no palco. Da televisão, vou tirando meu time de campo quietinho", afirma.

Disposto a terminar um romance que começou e que ficou parado pela falta de espaço na agenda, ele avalia estar no momento limite.

"Eu vejo a finitude do meu tempo. Quantos anos úteis eu tenho pela frente? Preciso priorizar agora o que eu quero fazer", completa.
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