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Globo aposta em novelão, clichês e gays para salvar o horário nobre

Notícias da TV

Depois do fiasco de Em Família, um novelão com todos os clichês é a aposta da Globo para o horário nobre. Império, que estreia nesta segunda (21), traz um caldeirão com ingredientes que costumam funcionar bem nas telenovelas. Tem personagens populares, alguns caricatos. O protagonista é um nordestino que vence na vida e tem uma relação de gato e rato com a ex-mulher, uma grã-fina metida à besta.

Os embates entre os personagens de Alexandre Nero (Comendador José Alfredo) e Lilia Cabral (Maria Marta) prometem ser hilários e rotineiros. Eles formam um par romântico ao avesso. Além disso, para contar a história desse anti-herói, o folhetim começa com um romance arrebatador na juventude, daqueles que as mulheres adoram, com bastante açúcar, mas sem um final feliz. O dedo da vilã da trama, Cora (Marjorie Estiano/Drica Moraes) já aparece aí, separando o mocinho da sua grande paixão.

Essa antagonista bem desenhada foi o que fez muita falta na trama de Manoel Carlos. Drica Moraes surge em cena nos dias atuais em um momento que mostra como a inveja de Cora é patológica. Ela vai dar gargalhadas em cima do corpo da irmã, Eliane (Malu Galli), assim que ela morre em decorrência de um câncer de pulmão.

“Ela não mata a irmã, mas ela mata a irmã. De certa maneira, ela mata a irmã psicologicamente, faz torturas com a irmã. E ali tinha esse outro lado, de você ir deglutindo e se divertindo. Eu estou aprendendo a fazer essa camada dela, menos sensível e mais observadora do drama do outro”, comenta Drica Moraes.

Aguinaldo Silva, autor de Império, criou personagens bem peculiares também, como o cabeleireiro Xana Summer (Ailton Graça) e o blogueiro Téo Pereira (Paulo Betti). O personagem de Betti é venenoso e tem falas recheadas de deboche e sarcasmo.

Esses são dois exemplos de atores que o público terá a oportunidade de ver fazendo “tipos” totalmente diferentes do que eles já interpretaram na TV. O eterno galã José Mayer, na pele do cerimonialista Claudio, um gay enrustido, é outro caso de quebra de imagem. Marina Ruy Barbosa, que sempre faz a “princesinha”, também sai do lugar comum com a ninfeta Maria Isis, amante de José Alfredo. Isso gera curiosidade e atrai a audiência.

Heroína sofredora

A mocinha tem tudo para cair no gosto do público porque é sofredora e batalhadora. Uma jovem do povo, que tem muitos valores morais, cujo o grande objetivo é manter sua família unida. Cristina, personagem de Leandra Leal, perde a mãe nos primeiros capítulos e seu trabalho em um camelódromo pega fogo. De quebra, o irmão dela ainda é preso e a mãe de seu sobrinho, a barraqueira Tuane (Nanda Costa), volta depois de anos para arrancá-lo da família. Nas primeiras imagens de Tuane, muitos vão lembrar de Morena, de Salve Jorge (2012).

“Ela é uma mulher muito forte. Pensando na minha vida, é inimaginável perder a minha mãe. A Cristina tem essa relação que é uma coisa que eu tenho, de a mãe ser o centro, de a mãe ser uma estrutura. Ela começa a trama três cenas antes de a mãe morrer. Então, você consegue ver quem é essa pessoa antes e depois, já que, mesmo com a dor e o luto, ela tem de resolver muita coisa porque a vida não para”, adianta Leandra Leal.

Cristina começa namorando o Fernando (Erom Cordeiro), um relacionamento saudável, moldado pela confiança. “É um cara bacana, que dá segurança, que é apaixonado, que dá força. Mas ela tem um namorico de infância, que é o Vicente [Rafael Cardoso], que volta a morar do lado dela. Essa aproximação vai abalar Cristina”, conta a atriz.

Tem muito sofrimento e vilanias no folhetim, defendido pelo autor como um “novelão clássico”. “É uma trama que vai prender a atenção”, promete Silva, que coleciona sucessos como Senhora do Destino (2004) e Fina Estampa (2011). Uma das marcas do novelista é criar mocinhas heroínas, que geram grande identificação com o público.

Saga de José Alfredo

A novela começa com uma cena do Monte Roraima, que fica na fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana. O cenário propicia belas paisagens, com fotografia de encher os olhos na novela das nove. O protagonista, o José Alfredo (Alexandre Nero), e sua filha predileta, Maria Clara (Andreia Horta), visitam o local, que é sagrado para ele. É o ponto de partida de sua trajetória rumo ao sucesso. Dali, a trama faz uma viagem no tempo para mostrar como esse homem de origem humilde se tornou dono de uma rede de joalherias que se chama Império, como o título da novela.

“É um ‘poderoso chefão’ que acaba cativando a gente. Acho que ele é um cara que enriqueceu muito porque entendeu que só isso presta para as pessoas”, diz Alexandre Nero, que mesmo tendo 44 anos e uma aparência jovial, com o processo de caracterização não repete o erro de Em Família na escalação de elenco, com atores que não batiam como mãe e filha, com foi o caso de Julia Lemmertz e Natália do Vale. José Alfredo tem 50 anos e três filhos adultos.

“Existem uns truques para aumentar a idade que a gente está fazendo. Tem um branco a mais no cabelo, um peso que o personagem carrega nas costas, e a maneira como ele anda. Tenho de tomar cuidado porque isso foi bastante pensado pela nossa equipe”, confidencia Nero.

Chay Suede vive José Alfredo quando jovem. Ele chega ao Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. Ao bater na porta da casa de seu irmão, Evaldo (Thiago Martins), ele já se depara com a mulher com a qual viverá uma paixão proibida: Eliane (Vanessa Giácomo), sua cunhada. Apaixonados, os dois planejam fugir, mas, na hora H, Eliane descobre que está grávida e é convencida pela irmã de que o filho que espera só pode ser de seu marido.

Chay Suede e Alexandre Nero caracterizados dão a impressão de serem a mesma pessoa em fases diferentes da vida. O ex-Rebelde, que faz uma participação especial no folhetim, conta que fez três semanas de preparação para criar essa identidade única em cena. “Isso foi essencial para esse trabalho porque ele tem uma curva que parte do ponto final da minha jornada na novela”, comenta.

Sem seu amor, José Alfredo vai parar num garimpo no “fim do mundo”. Lá, vê seu novo amigo ser assassinado e acaba tirando a vida do assassino. Antes de morrer, Sebastião (Reginaldo Faria) conta para ele como é possível ganhar muito dinheiro transportando pedras preciosas dos garimpos brasileiros para Europa.

Em sua primeira viagem para fora do país, José Alfredo conhece Maria Marta, vivida por Adriana Birolli na primeira fase. Eles iniciam uma relação de interesse mútuo e têm três filhos: José Pedro (Caio Blat), Maria Clara (Andreia Horta) e João Lucas (Daniel Rocha).

Enquanto José Alfredo ficava milionário e formava sua família, Eliane perdeu o marido muito jovem, teve dois filhos e batalhou muito para criá-los com poucos recursos financeiros. Somente com a morte dela é que Cora vai revelar à sobrinha, Cristina, que na verdade ela é filha do milionário José Alfredo.
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